Quem nunca virou uma noite?

Eu virei algumas. Já virei estudando, pensando, criando, batendo papo, celebrando… Aliás, houve uma época, em meados da década de 1990, quando comecei minha primeira empresa, que eu ficava na varandinha de meu modesto apartamento em Botafogo, no Rio de Janeiro, com um caderninho na mão, pensando, criando, imaginando hipóteses para que no outro dia eu partisse para a ação.

Durante a madrugada, o som dos carros que passam nas ruas de uma cidade grande como o Rio de Janeiro, que vai diminuindo na medida em que a hora avança, logo é substituído pelo som de passarinhos, pelo som das ondas do mar, que não é perceptível durante o dia, pelo cheiro da alvorada e do romper da escuridão pelos primeiros raios da luz do sol.

Uma manhã traz consigo a esperança do recomeço, de uma nova chance para que os nossos ideais se concretizem a fim de nos desgarrarmos da média e da multidão crescente dos descontentes.

Aos 42 anos, ainda tenho muita afinidade com o silêncio da madrugada e com o barulho das conexões cerebrais promovidas pelo trabalho dos neurônios que, pelo visto, nunca se cansam.

Enquanto sonharmos, nosso foco estará no futuro e na construção dele. Mas quando o futuro não nos seduzir mais, viveremos num presente cheio de lamentações, como mortos vivos, acordando por não terem escolha, porém, com vontade de dormir para sempre, sem terem o sacrifício de acordar para vagar pela cidade sem um sonho sequer.

Quem parou de sonhar, já morreu.

A boa notícia é que, num estalar de dedos, os sonhos brotam por entre as fendas do terreno árido que se formou, vencem o sol escaldante da amargura e superam o ambiente hostil das más companhias. Esse broto transforma-se numa árvore frondosa, onde os pássaros poderão pousar, descansar sobre os galhos, desfrutando da sombra de sua copa robusta.

São justamente esses pássaros que vão levar essa semente para outras regiões, além do vento, que antes o ameaçava, mas que agora vai espalhar sua semente por outras terras a fim de levar esperança e vida aonde a morte dá as cartas.

Ainda me lembro, num dia negro, em que eu pensei que não conseguiria vencer a pressão. Eu estava enganado. Ainda bem. Nossa capacidade de nos renovarmos é infinita.

Eu desejo que hoje seja um grande dia de renovação para seus sonhos, GV.

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