O perigo do mito

Um dos maiores desafios para todos nós é mantermos sempre em dia a humildade. Se você está em baixa, por exemplo, a humildade é o caminho para aprender a erguer-se, para ouvir as pessoas certas e para saber lidar com suas limitações temporárias.

Quando se está em alta, a humildade é fundamental para não se iludir achando que é “o cara”, que sua conta bancária é o que define seu valor como indivíduo e que o sucesso é eterno ou resultado de sua predestinação.

Esse sempre será um desafio para todos nós, pois, afinal, lutamos contra a nossa natureza humana que sempre vai apontar para o orgulho, o egoísmo e a vontade de ser o centro das atenções. No fundo, a vaidade de querer um reconhecimento e recrutar adoradores é um veneno que conduz muitos para o precipício e o afastamento da humildade que nos torna aptos a nos colocarmos como eternos alunos, condição básica para estarmos em constante crescimento e evolução.

Não há ideologia, seja política, religiosa ou filosófica, que sobreviva a um personagem tomado pelo orgulho e a vaidade. Tudo passa a ficar em segundo plano quando o indivíduo deixa sua verdadeira identidade de lado para dar lugar ao personagem que ele mesmo criou. Entorpecido pelos elogios de seus admiradores, ele passa a acreditar que é a própria encarnação deste personagem criado, deixando um rastro de decepção e abrindo margem para outros desvios.
Não há nada mais perigoso que um mito, seja ele morto ou vivo. Não há nada mais perigoso para um mito do que ele próprio. Quando passa o efeito dessa droga, a realidade nua e crua traz à luz os danos causados por todos os lados.

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